Sanidade animal e vegetal fortalece a segurança dos alimentos em Santa Catarina

O alimento que chega ao mercado carrega um caminho maior do que o transporte entre a propriedade rural, a indústria e a prateleira. Antes de ser escolhido pelo consumidor, frutas, verduras, carnes, leite e derivados passam por uma série de controles que ajudam a garantir procedência, qualidade e segurança.

Em Santa Catarina, esse trabalho reúne ações de fiscalização, orientação técnica e monitoramento que acompanham desde a produção no campo até o funcionamento das agroindústrias, ajudando a prevenir pragas, doenças e outros riscos à produção. A sanidade animal e vegetal atua nessa conexão entre o campo e a mesa e aparece na análise de resíduos de agrotóxicos em produtos vegetais, na certificação fitossanitária que permite a comercialização de frutas, no controle de doenças em aves e bovinos, nos testes feitos dentro dos laticínios e até nas atividades educativas que levam informação sanitária para crianças de escolas rurais e urbanas.

Em um estado com cadeias produtivas expressivas, como banana, frango e leite, essa estrutura de controle se torna também um diferencial econômico. A segurança dos alimentos não depende de uma única etapa, mas de uma sequência de procedimentos que começa na propriedade e continua no comércio, na indústria e na escolha final do consumidor.

Monitoramento que começa no comércio

Da horta à prateleira: conheça as ações de rastreabilidade de hortifrúti que protegem a saúde do consumidor e fortalecem o agro em Santa Catarina.Com fiscalização rigorosa de hortifrúti, Santa Catarina atinge 90% de conformidade na análise de resíduos de agrotóxicos.Foto: Divulgação/Magnific/ND

Em Florianópolis, uma das frentes desse trabalho aparece nas coletas de hortifrútis feitas no comércio para análise de resíduos de agrotóxicos. As amostras são recolhidas de forma aleatória em estabelecimentos comerciais e também diretamente nas propriedades rurais, dentro do programa estadual de controle e monitoramento de resíduos.

No caso dos produtos orgânicos, o resultado precisa comprovar ausência total de resíduos de agrotóxicos, já que eles passam por certificação de qualidade orgânica concedida pelo Ministério da Agricultura. Já nos produtos convencionais, a análise verifica se os defensivos eventualmente encontrados são autorizados para aquela cultura e se estão dentro dos limites máximos permitidos pela Anvisa.

E, quando há alguma irregularidade, a fiscalização utiliza a rastreabilidade para refazer o caminho do alimento: confere notas fiscais, identifica a origem do produto e chega ao produtor responsável, permitindo que sejam tomadas as medidas cabíveis na produção. Essa lógica mostra que a segurança alimentar depende da capacidade de acompanhar a origem, entender o percurso e corrigir falhas quando necessário.

O monitoramento também mostra como a fiscalização contínua muda o comportamento da cadeia produtiva. Desde o início do programa, o índice de conformidade passou de cerca de 60% para 90%, resultado construído a partir de mais de 5 mil amostras analisadas em mais de 16 anos.

As coletas são feitas tanto no comércio quanto na produção, envolvendo alimentos orgânicos e convencionais. Esse histórico ajuda a identificar onde estão os problemas, orientar produtores e corrigir falhas antes que elas se repitam.

No caso dos resíduos acima do limite permitido, o risco nem sempre aparece de forma imediata para o consumidor, mas a exposição ao longo do tempo pode se tornar uma preocupação de saúde pública. Por isso, o controle precisa acompanhar toda a cadeia, do campo ao ponto de venda, com análise técnica, fiscalização e orientação permanente.

Como funciona a defesa agropecuária

A defesa agropecuária de Santa Catarina monitora resíduos em hortifrútis e controla doenças em rebanhos para assegurar a qualidade dos alimentos no estado.Com uso de drones, vistorias e rastreabilidade, a defesa agropecuária catarinense combate pragas no campo e fiscaliza a segurança das agroindústrias. Foto: Divulgação/Magnific/ND

No Litoral Norte, a produção de banana mostra como a sanidade vegetal combina experiência no campo, orientação técnica e uso de novas tecnologias.

Em Luís Alves e Balneário Piçarras, por exemplo, o produtor Bertolino Vilvert cultiva bananas há mais de 40 anos em uma área de cerca de 80 hectares. No início, controlar a Sigatoka – uma das doenças fúngicas mais severas que afetam a cultura da fruta – era um dos maiores desafios, principalmente pela falta de tecnologia de aplicação.

A primeira aplicação de fungicida e óleo mineral foi feita com uma bomba costal adaptada com vara de bambu e cano de cobre. Hoje, a realidade é outra: os defensivos prescritos por agrônomos são aplicados com o apoio de drones agrícolas, que ajudam a dar mais precisão no manejo mas, ainda assim, a tecnologia não substitui práticas básicas de cuidado.

Os cachos são ensacados para proteger as bananas contra insetos, vento e atrito das folhas. E os sacos recebem tratamento biológico à base de citronela e extrato de alho, recurso que ajuda a reduzir a necessidade de produtos químicos.

Depois da colheita, o controle continua na casa de embalagens. As pencas são retiradas, divididas em pequenos buquês de seis a oito bananas, lavadas e organizadas nas caixas antes de seguir ao mercado. A certificação fitossanitária reúne regras de controle de doenças e garante a comercialização da fruta para outros estados e também para exportação.

A banana é apenas um dos exemplos de como a defesa agropecuária acompanha diferentes cadeias produtivas em Santa Catarina. O mesmo princípio de prevenção, monitoramento e controle sanitário orienta atividades como a avicultura e a produção de leite, adaptado às necessidades de cada sistema produtivo.

Na avicultura, por exemplo, a prevenção começa dentro dos aviários. Em São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis, a cama aviária é manejada diariamente para controlar a umidade, preservar o bem-estar dos frangos e reduzir a circulação de agentes que podem favorecer doenças.

Como o estado ocupa a segunda posição nacional na produção de carne de frango e está entre os principais exportadores do país, a biosseguridade faz parte da rotina das propriedades e é uma das principais estratégias para evitar a entrada de doenças como a gripe aviária nos plantéis comerciais.

A vigilância também alcança pequenas criações, e aves com sinais respiratórios ou neurológicos devem ser comunicadas à Cidasc – Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina – para avaliação e definição das medidas necessárias.

Na cadeia do leite, o acompanhamento segue do campo até a indústria. Antes mesmo de descarregar a matéria-prima, cada caminhão passa por análises que verificam acidez, possíveis adulterações e resíduos de antibióticos. Somente após a liberação o leite segue para processamento, enquanto queijos, iogurtes e demais derivados continuam sendo monitorados ao longo da fabricação por sistemas de autocontrole e pela inspeção oficial.

Esse trabalho começa ainda nas propriedades. Santa Catarina mantém alguns dos melhores indicadores sanitários do país, com baixos índices de tuberculose e brucelose bovinas e o reconhecimento como primeiro estado brasileiro livre de febre aftosa sem vacinação.

Nas fazendas leiteiras, exames periódicos e a identificação dos animais permitem acompanhar a saúde do rebanho e agir rapidamente diante de qualquer alteração, fortalecendo toda a cadeia de produção.

Educação sanitária prepara novas gerações

A sanidade animal e vegetal também passa pela formação de quem ainda está na escola. Em uma unidade rural próxima à propriedade de seu Nefton Hoffmann, alunos participaram de uma aula sobre identificação animal, usando material do programa Sanitarista Júnior, desenvolvido pela Cidasc. Depois da parte teórica, a turma foi a campo para ver de perto como é feita a identificação de um bezerro.

O brinco colocado no animal funciona como um documento, ele permite rastrear informações importantes, acompanhar o histórico sanitário e dar mais segurança ao controle dos rebanhos.

Para as crianças que vivem em comunidades rurais, o conteúdo se conecta ao cotidiano das famílias. Afinal, muitas já convivem com a criação de animais, mas ali passam a entender melhor por que a identificação, a vacinação e os exames são necessários.

E o efeito da educação sanitária tem ido além da sala de aula. Quando os alunos compreendem a importância dessas medidas, eles também levam a informação para casa e ajudam a aproximar as famílias das práticas recomendadas. Já nas escolas urbanas, o aprendizado cumpre outro papel: mostrar o trabalho que existe por trás dos alimentos consumidos todos os dias e aproximar as crianças da realidade do campo.

Essa formação ajuda a construir uma sociedade mais preparada para entender a relação entre saúde animal, saúde vegetal, produção agrícola e saúde humana, fazendo com que todos entendam que o alimento seguro não nasce apenas de uma boa lavoura ou de um rebanho bem cuidado. Ele depende de conhecimento, fiscalização, responsabilidade produtiva, indústria controlada e consumidores atentos à procedência e aos selos de inspeção.

Para saber mais sobre a sanidade animal e vegetal em Santa Catarina, assista ao episódio do programa Agro, Saúde e Cooperação. O projeto é desenvolvido pelo Grupo ND em parceria com Ocesc, Aurora, Sicoob e Fiedler.

Fonte: ND MAIS

Data da Notícia: 10/07/2026
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