Na SI 330: Brasil consolida posição como terceiro maior exportador de carne suína

 O Brasil consolida, em 2026, a posição de terceiro maior exportador mundial de carne suína, em um cenário marcado pela abertura de novos mercados, diversificação dos destinos e fortalecimento do status sanitário brasileiro. Ao mesmo tempo, o crescimento da produção aumenta a disponibilidade interna e mantém a pressão sobre os preços pagos ao produtor.

Segundo projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a produção nacional deve alcançar 5,87 milhões de toneladas em 2026, avanço próximo de 5% sobre o ano anterior. Para 2027, a expectativa é superar 6 milhões de toneladas. As exportações, por sua vez, devem chegar a aproximadamente 1,6 milhão de toneladas em 2026 e 1,7 milhão em 2027.

Exportações de carne suína ganham novos mercados

O avanço brasileiro ocorre em meio a dificuldades enfrentadas por concorrentes tradicionais, como União Europeia e Canadá. A diversificação dos destinos também reduz a dependência de mercados específicos e aumenta a resiliência do setor diante de oscilações comerciais e sanitárias.

O mercado asiático permanece como principal eixo de expansão. A China continua estratégica, mesmo com a recuperação de sua produção, enquanto Filipinas e Japão ganham destaque entre os compradores da proteína brasileira.

O Japão é considerado um mercado estratégico por seus elevados padrões sanitários e pela maior valorização dos cortes suínos. Já as Filipinas seguem com elevada necessidade de importação diante das dificuldades para recuperar a produção afetada pela Peste Suína Africana (PSA).

Produção e exportações de carne suína em números

Indicador

2026

2027

Produção de carne suína

5,87 milhões t

         Mais de 6 milhões t

Exportações

1,6 milhão t

1,7 milhão t

Consumo per capita

   Cerca de 20 kg/habitante/ano

Fonte: ABPA, conforme dados apresentados no material.

O consumo interno também deve atingir um patamar histórico, com expectativa de aproximadamente 20 kg de carne suína por habitante ao ano.

Status sanitário amplia potencial de exportação

O reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação abre caminho para a habilitação de plantas frigoríficas de diferentes estados para exportação de carne com osso e miúdos à China.

A medida amplia o potencial de negócios e reforça a estratégia brasileira de acesso a mercados asiáticos. Segundo Iuri Pinheiro Machado, consultor de Mercado da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), a região ainda apresenta grande potencial de crescimento em razão da densidade demográfica, do aumento do poder aquisitivo e dos impactos da PSA sobre a produção local.

Aumento da oferta pressiona rentabilidade

Apesar do desempenho positivo no comércio exterior, o cenário nas granjas permanece desafiador. O crescimento da produção elevou a disponibilidade de carne suína no mercado doméstico, pressionando os preços e as margens dos produtores.

Para o segundo semestre de 2026, o principal desafio apontado por Iuri Machado é adequar a demanda ao aumento da oferta interna. O aumento sazonal do consumo no fim do ano pode ajudar a reduzir a pressão sobre os preços, mas oscilações nos abates e nas exportações podem influenciar esse processo.

A competitividade frente à carne bovina também pode favorecer o consumo. Segundo Machado, a relação entre os preços das duas proteínas tornou a carne suína especialmente competitiva, embora essa diferença não seja repassada ao consumidor na mesma proporção no varejo.

Eficiência é desafio para o produtor

Com margens negativas em grande parte das granjas, o controle de custos passa a ser determinante para a sustentabilidade da atividade. A avaliação é de que não deve ocorrer uma recuperação significativa no curto prazo.

Nesse cenário, a gestão rigorosa dos custos e a manutenção da eficiência produtiva são apontadas como condições necessárias para que os suinocultores atravessem o atual período de rentabilidade reduzida.

Brasil amplia protagonismo na suinocultura mundial

O avanço das exportações, a diversificação de mercados, o status sanitário e a competitividade produtiva mantêm perspectivas positivas para a suinocultura brasileira. O crescimento do consumo doméstico também contribui para o fortalecimento da cadeia.

O desafio, agora, é transformar o protagonismo conquistado no mercado internacional em maior rentabilidade dentro das granjas, equilibrando expansão da produção, demanda interna e abertura de novos destinos para a carne suína brasileira.

 

Fonte: agrimidia

Data da Notícia: 12/08/2026
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