As exportações brasileiras de ovos registraram forte retração em março de 2026, refletindo principalmente a menor demanda dos principais parceiros comerciais da proteína. O volume embarcado no período foi o menor desde dezembro de 2024, conforme análise do Cepea com base em dados oficiais.
De acordo com informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compiladas pelos pesquisadores do Cepea, o Brasil exportou 1,87 mil toneladas de ovos in natura e processados em março. O resultado representa uma queda de 36% em relação a fevereiro e corresponde à metade do volume registrado no mesmo mês de 2025, quando os embarques somaram 3,77 mil toneladas.
A retração no volume exportado evidencia um cenário de desaquecimento no mercado internacional de ovos, impactando diretamente o desempenho do setor avícola brasileiro. Tradicionalmente competitivo, o Brasil enfrenta desafios relacionados à redução da demanda externa, o que limita o ritmo dos embarques.
Esse movimento reforça a dependência do setor em relação ao mercado internacional e aumenta a preocupação com a manutenção da competitividade brasileira frente a outros exportadores.
Apesar da queda expressiva no volume, o recuo no faturamento foi menos intenso. As receitas com exportações de ovos totalizaram US$ 4,53 milhões em março, valor 27% inferior ao obtido em fevereiro. Na comparação anual, a receita cambial apresenta retração de 48%.
Segundo analistas, a diferença entre a queda no volume e na receita pode estar associada a variações nos preços médios de exportação ou à maior participação de produtos com valor agregado.
Diante desse cenário, o mercado interno tende a ganhar maior importância como alternativa para absorver parte da produção. Ainda assim, a retomada da demanda externa será fundamental para a recuperação mais consistente das exportações ao longo de 2026.