As exportações brasileiras de frango avançaram 31%,
sustentadas pela competitividade de custos da produção nacional, segundo a
ASGAV. O desempenho reforça a posição do país no mercado global da proteína
avícola — mas o retrato dentro da porteira é menos confortável. Na ponta
produtiva, o Cepea aponta que o poder de compra do avicultor paulista frente ao
milho e ao farelo de soja recuou em agosto pelo segundo mês consecutivo,
combinando a desvalorização do frango vivo, pressionado pela oferta interna elevada,
com a alta dos principais insumos.
O resultado é uma assimetria típica de ciclo: a indústria
exportadora captura o mercado externo aquecido, enquanto o produtor absorve o
aperto de margem. O mesmo padrão de demanda fraca aparece no mercado de ovos,
onde os preços recuaram na segunda quinzena de agosto, com descontos cedidos
pelos produtores sob pressão de atacadistas e varejistas. Na suinocultura, o
quadro é ainda mais severo — o suíno vivo está em um dos menores patamares da
série histórica do Cepea, com prejuízos e abandono da atividade.
Do outro lado do balanço, o agronegócio de exportação segue
ampliando posições. A MBRF enxerga a aquisição da National Beef como uma ponte
para consolidar o acesso de carnes da América Latina ao mercado americano. A
própria National Beef, uma das maiores frigoríficas dos Estados Unidos, mantém
margens positivas apesar da crise do ciclo pecuário americano, marcada pela
baixa oferta de gado — evidência de que o processamento de carne bovina segue
rentável mesmo sob estresse de matéria-prima. Na bioenergia, a Conab estima a
safra 2026/27 de cana-de-açúcar em 705,2 milhões de toneladas, alta de 4,7%
sobre o ciclo anterior, impulsionada por expansão de área e ganho de
produtividade, com relevância direta para os mercados de açúcar e etanol.
Para o produtor, a leitura prática é de gestão de margem:
insumos em alta e proteína em queda exigem revisão de custos de ração e
estratégia de trava de preços nos próximos meses.