As exportações brasileiras de carne de frango apresentaram um salto expressivo de 24,8% no mês de agosto, impulsionando a receita do setor para perto da marca de US$ 1 bilhão no período. O forte ritmo dos embarques, que operam 17,1% acima dos volumes registrados em 2025, consolida o aquecimento da demanda internacional pela proteína nacional nesta sexta-feira (18), segundo dados divulgados pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav).
Apesar do desempenho robusto no comércio exterior, o mercado interno apresenta uma dinâmica de preços mais contida. A oferta doméstica de carne de frango registrou um aumento de 9%, fator que tem limitado uma valorização mais expressiva das cotações no atacado e no varejo brasileiro. Esse cenário de estabilidade ocorre mesmo com a forte saída de mercadoria para os portos, evidenciando que a capacidade produtiva da indústria tem conseguido suprir ambas as frentes sem gerar desabastecimento.
Na ponta da produção, no entanto, o cenário começa a mostrar sinais de reação. Os preços do frango vivo no estado de São Paulo registraram forte alta em setembro, impulsionados pela maior demanda da indústria por lotes extras. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), esse movimento reflete o aquecimento do consumo de carne de frango na ponta final, obrigando os frigoríficos a buscarem animais adicionais para complementar suas escalas de abate no curto prazo.
No segmento de suínos, o cenário também é de recuperação nas margens. Os preços da carcaça e do animal vivo registraram valorização no mercado brasileiro nesta semana, impulsionados pelo aquecimento da demanda interna. O movimento de alta interrompe um período de sucessivas quedas nas cotações, que vinham sendo pressionadas pelo excesso de oferta nas últimas semanas, trazendo alívio para o fluxo de caixa dos produtores.
O bom momento da avicultura se estende também ao segmento de postura. A produção brasileira de ovos para consumo atingiu o recorde de 2,04 bilhões de dúzias no primeiro semestre deste ano, consolidando-se como o maior volume da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O crescimento registrado no segundo trimestre foi fundamental para impulsionar o resultado positivo do setor avícola, conforme análise do Cepea.