Cenário de El Niño forte aponta risco de R$ 33 bilhões na soja

Um estudo da Serasa Experian divulgado pelo g1 na terça-feira, 27 de outubro de 2026, estima perdas de R$ 33 bilhões na soja brasileira caso ocorra um El Niño forte. Nesse cenário, a safra 2026/27 passaria de 181,2 milhões para 163,6 milhões de toneladas. O valor representa uma simulação condicionada à intensidade do fenômeno e deve entrar na avaliação financeira com essa ressalva: não corresponde a uma perda já registrada nas lavouras.

O andamento da semeadura mostra situações regionais distintas. Segundo o Canal Rural, Mato Grosso alcançou 75,81% da área prevista, acima da safra anterior e da média dos últimos cinco anos. No Paraná, o plantio chegou a 47%, com atrasos associados às chuvas; no Rio Grande do Sul, atingiu 3%, sob condições climáticas adversas. Os recortes não trazem estimativas de perda de produção nesses estados. Para o orçamento do produtor, a distinção importa: avanço de plantio, atraso operacional e redução de colheita são informações diferentes, e os percentuais disponíveis não bastam para converter a situação de campo em prejuízo financeiro.

Na logística, o boletim da Conab divulgado em 27 de outubro registra movimentos divergentes nos fretes de setembro. Houve altas de até 6,3% em rotas de Mato Grosso, enquanto o trajeto São Gabriel do Oeste–Paranaguá apresentou queda de até 11,9%. A companhia aponta influência do diesel e da movimentação de insumos para o plantio. O quadro exige comparar cada rota utilizada na operação: os dados não sustentam uma taxa única de aumento do transporte agrícola. Sem valores absolutos de frete no recorte, também não é possível calcular o efeito dessas oscilações sobre o custo por tonelada comercializada. Os preços externos acrescentam outra variável à análise de receita. O Canal Rural atribui pressão sobre a soja em Chicago à maior participação brasileira nas vendas à China, sem informar a magnitude da queda. No milho, a CNN Brasil Agro registra recuo de 1,37% do contrato para dezembro em 27 de outubro, para US$ 4,48 por bushel, associado ao avanço da colheita americana. A reportagem também aponta que a desvalorização do real amplia a competitividade das exportações brasileiras do cereal. Esses movimentos compõem o ambiente comercial, mas não fornecem, isoladamente, uma medida da margem doméstica.

Fonte: agrimidia

Data da Notícia: 28/10/2026
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