O avanço do uso de
medicamentos GLP-1 para perda de peso e as mudanças associadas aos hábitos
alimentares entraram no radar da avicultura brasileira. Durante o 2º Simpósio
Mineiro de Avicultura, realizado em 25 de junho, na Fiemg, em Belo Horizonte
(MG), o presidente do Conselho Diretor da Avimig, Antônio Carlos Vasconcelos
Costa, apontou a tendência como um dos fatores que podem influenciar o consumo
de proteínas nos próximos anos.
Levantamentos recentes indicam maior atenção dos usuários
desses medicamentos às fontes proteicas. Pesquisa do PainelTAP, realizada com
751 usuários no Brasil, apontou que 46,6% passaram a comprar mais alimentos
ricos em proteína, incluindo carnes, ovos e iogurtes.
Proteína ganha prioridade na alimentação
Outro estudo, realizado pela Pluxee com mais de 1,2 mil
participantes, mostrou que 57% dos usuários das chamadas canetas emagrecedoras
passaram a priorizar fontes de proteína, enquanto 62% aumentaram a ingestão de
frutas, legumes e verduras.
Canetas emagrecedoras à base de medicamentos da classe
GLP-1 vêm influenciando hábitos alimentares e ampliando a atenção para o
consumo de proteínas, movimento acompanhado pelo setor avícola.
A tendência encontra respaldo em orientações nutricionais
para pacientes em tratamento com GLP-1. Documento conjunto de entidades
especializadas em nutrição e obesidade destaca a importância de dieta adequada
e estratégias para preservação da massa muscular durante o emagrecimento.
Para Costa, essas mudanças podem favorecer a proteína
animal. “Há a expectativa de crescimento da proteína animal, ao longo do tempo,
de cerca de 10%”, afirmou. O percentual representa uma projeção do dirigente, e
não uma estimativa consolidada de crescimento específico para frango e ovos.
Mercado avícola acompanha tendência
O possível efeito ocorre em um mercado já marcado por
elevado consumo. Em 2025, o brasileiro consumiu, em média, 46,7 kg de carne de
frango por habitante, enquanto a produção nacional de ovos atingiu recorde de
62,3 bilhões de unidades, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal
(ABPA).
Costa ponderou, entretanto, que a avicultura ainda não
percebe integralmente esse eventual aumento da demanda e enfrenta, atualmente,
desafios relacionados à oferta e aos preços.